intervalo




- Estou desiludido com o blogue...
- Então?
- Ah... agora anda-me lá com aqueles poemas antigos... pensei que pusesse lá coisas mais pujantes! Assim, mais... a professora sabe... olhe a sua visão do amor, por exemplo...
- Mas isso não tem qualquer interesse... escrevo sobre o que vejo nos textos e não é que isso seja particularmente interessante...
- Ah... mas olhe, podia, assim, pôr lá uns textos seus, por exemplo...
.

É a pensar em ti, E. V., morador da Casa desde o início, é a pensar em ti que publico este poema. Da gaveta dos meus afectos, para a avidez da tua leitura.
.



CASA

vagarosa,
desce a quietude de um silêncio morno
e antigo.
é a hora apaziguada e tardia
da Fénix nocturna;
o momento em que o meu sangue
ateia
o incêndio nocturno do teu perfil
e tu entras pelos versos do meu corpo,
contando sílabas,
na métrica ansiosa e incandescente
do desejo.                                                    
                                                     Ana Prado

Imagem: tela de Marina Pajic Juwan

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