Cheguei à escola e o colega P.C. disse-me logo que agora até tem medo de falar comigo, o que não é de espantar, este corpo atlético intimida , bem sei. Mas, ainda ssim, fiz-me de desentendida e perguntei a razão de tal receio, ao que respondeu que nunca sabe o que venho aqui escrever e que o melhor será falar de assuntos estritamente profissionais e vá de abordar o tema do casório. Eu calei-me, e deixei que ele próprio deixasse a nu o seu caráter e o amor que dizia ter por mim há duas crónicas atrás. A chegada da colega M.C. veio ajudar à festa e ela, que segundo disse até já tinha a fatiota comprada, foi muito clara na apreciação do caso e disse logo:
- Não te cases!
E eu concordei. É que parece que a nossa união era, para quele que seria meu noivo, um “assunto estritamente profissional”.
Nas aulas, nada a registar. Os moços estão todos demasiado normais para o meu gosto, a ver se a coisa muda. Tenho esperança que algum sueste de aproxime os faça aparvalhar. Aparvalhar, mas com classe, coisa que nunca perco, aparvalhando muito.
Ouvi também uma conversa entre os colegas P.C. e C.B.. O segundo é secretário do primeiro e queria saber que funções desempenhar naqueles 20 minutos que nós temos de dar ao Ministério pelas horas a mais que trabalhamos. O P.C. não se fez de rogado e disse que tinha de atender os EE, preencher aquela papelada que ninguém sabe para que serve, mas que todos entregamos dentro dos prazos, consultar e analisar os processos, tudo em 20 minutos. Enquanto isso, o C.B. sorria e depois foi-se embora. Ele há gente...
Subi e fui comprar uma água, que ainda afogo as entranhas com este calor. Encontrei a T.B. que me disse que se falou de mim nas suas aulas de 10º ano, a propósito de El Quijote de la Mancha, tendo ela mantido a versão de 2015. Disse-me a que aluno o disse e eu disse-lhe que ele é rapaz para acreditar. Decorria a conversa e ouvi nas minhas costas “mas estás visivelmente mais magra” eu olhei logo, claro. Era a E.C. a dar um ar da sua graça e da sua ironiazinha. Também ela anda a lutar pela eternidade nestas linhas. Atirei-lhe com um olhar, mas esborrachei-o na parede, porque ela já ia a chinelar corredor fora. Como é Coordenadora, anda sempre de um lado para o outro a tratar daqueles papéis que ninguém sabe para que são.
E assim foi o dia.
E assim vão os dias.
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